No outro dia estava a ver um tributo qualquer lamechas à Amy Winehouse. Detesto esses tributos porque me emociono sempre - os genes de mulher conferem-me esta capacidade incrível que é associar qualquer historieta de fotonovel à minha vida e fazer-me derramar uma lágrimazinha de self pity. O que é, só por si, odioso.
Mas não era sobre isto que eu ia a escrever.
Voltando ao assunto.
Amy Winehouse. Primeiro invejei-lhe a magreza da coca, aposto que aquilo não custava nada: era um cheirinho aqui outro ali, pelo meio dava uns concertos e voilá, lipoaspiração plus entertenimento.
Depois as tatuagens, o ar de quem tem o banho no final de uma longa lista de prioridades, e um geral desprezo pelo que o resto da humanidade anda a formigar, dão-lhe uma áurea quase mistíca.
Eu que sou uma betinha, cresci a ouvir mais missa que rock e o primeiro cigarro que fumei foi nas traseiras no colégio, olho para a Amy como um bicho de uma espécie parecida mas não igual, que ao mesmo tempo que receio até invejo.
Gosto desta entrega ao submundo da facilidade da droga, da promíscuidade do sexo sob opiáceos, da alienação, do "fuck this shit". O abandono total. E a libertação que isso deve ser (sempre numa versão trashy-chic claro, sem dentes podres nem buracos de agulhas no rabo).
E percebo de onde vem essa necessidade.
Quer dizer, como betinha percebo mais ou menos, é quase um exercício intelectual tipo perceber as mensagens do meu amigo forcado que ficou a meio do 6º ano.
Dizia eu, também sinto algum desse peso da existência não é, isto não foi só missas e àguas bentas, há as expectativas ridículas da família (honest to God o meu pai acha que eu sou um génio em várias àreas do conhecimento e que se não estiver na lista da Fortune 500 dentro de 5 anos o mundo não faz sentido), a vontade de cumprir o cliché de ir para Bali e montar um bar na praia e no dia a seguir querer ser uma advogada de Wall Street etc. etc. etc. Não me vou alongar, quem viu o fight club sabe o resto.
Anyhow (adoro estrangeirismos, ajudam-me a convencer-me que realmente ainda sobram neurónios por estes lados) esse fascínio é também ele puramente intelectual. A única droga que tomei foram uns charros em Amesterdão e jurei para nunca mais - um dia conto essa história - e tatuagens parecem-me uma ideia muito gira no papel - de onde não devem sair.
Acho que o momento em que estive mais perto dessa entrega foi quando derramei uma garrafa de whisky e fui dançar para dentro da jaula do lux para gáudio do meu engate nessa noite.
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